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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Como trabalhar remoto com python / django? Parte 04 (2ª ruptura)

Depois de uma semana sem escrever (assista a minha palestra) espero não ter perdido o jeito. Vou falar um pouco da segunda grande mudança (ou ruptura) que aconteceu justamente quando, como diz o ditado: "só se dá valor quando se perde". (Leia o capítulo anterior em "como trabalhar remoto com python / django?" parte 03.)

De volta ao trabalho presencial (uniforme, ponto eletrônico e tudo mais) e a (Grande) Vitória, morando sozinho no meio do ano de 2014. Mas no início tudo é novo. Novo AP: internet (sim, depois de energia o segundo serviço contratado), colchão inflável (que mais tarde causaria uma lesão no ombro) e mesa com cadeiras de ferro dobráveis emprestadas. Havia ainda muito trabalho pela frente para tornar o AP um local confortável para se morar como: chuveiro quente, geladeira, fogão, máquina de lavar, espelho (pentear o cabelo é importante para se trabalhar presencial. Acreditem), carro e eu ainda tinha que implorar a construtora para corrigir um a um os defeitos que iam aparecendo com o tempo, mas essa já é outra história.

Bem. Trabalho novo, vida nova. Empresa com boa estrutura física e sala com ampla e bela vista. As primeiras impressões que me lembro, ainda incluem: novas amizades, muitas visitas ao RH, vale alimentação, crachá e outros cartões, ar condicionado gelado e um roteador tp-link destruído (apenas alguns entenderam :D). O projeto era (e ainda é) bem interessante. É como todo projeto interessante (que também foi o que me motivou a aceitar o trabalho) aprende-se muito. Já que com alguma experiência e muitos trabalhos depois percebi que no fim das contas o que fica é o conhecimento adquirido e as amizades construídas.

Algum tempo depois (não me lembro quanto) começo a perceber que o problema da CLT é estrutural, ou seja, não há nada de errado com o prédio, a vista, o projeto, a tecnologia ou com as pessoas ganharem a vida. O problema é como as relações de trabalho são organizadas. (Nota.) Falo aqui do meu ponto de vista, analista de sistemas por formação trabalhando presencial com carteira assinada, o que pode (e deve) ser bem diferente para as várias outras profissões existentes. Acredito que o trabalho CLT pode e muitas vezes é uma mudança positiva na vida para muitos. Tá entendi. Mas o que estou tentando responder aqui é: e se eu não quiser ser CLT o que que eu faço? Quais opções eu tenho? É isso :)

Mas voltando. É bom ter chefe? E ter vários chefes é bom? É eu sei. Eu tenho uma história interessante para contar sobre esse assunto. Nesse trabalho presencial eu "ganhei" um notebook para trabalhar. Era um i3 com 4GB de ram rodando ubuntu, mesma configuração do meu notebook pessoal na época, atendia, mas confesso que a memória ram estava no limite.

Bem, num certo momento do projeto eu precisei rodar um servidor em uma máquina virtual que usava 4GB de ram, logo não era possível (precisaria de 8GB e só tinha 4), mas com algumas adaptações e de forma precária (muito lento) era possível subir o servidor e abrir uma ou duas outras coisas. Logo pensei: memória é barato hoje em dia e o tempo que vou economizar justifica a compra. Pedi ao meu chefe que autorizou a comprar da memória. Contudo, era necessário passar para um colega incluir a memória em um pedido de compra com três orçamentos. Feito. Passou um tempo (um mês ou mais) e o pedido ainda estava "em aberto" dai eu cometi o engano de pedir para incluir mais um item na compra. Meu chefe que tinha esquecido da minha memória, lembrou e desautorizou a compra. Resumindo. Passado mais algum tempo acabei resolvendo o problema trocando meu velho notebook por um novo com 8GB de ram para usar no trabalho.

Esse é um de muitos exemplos em que mostram, a quantidade de tempo perdido em uma estrutura hierárquica, onde um manda e os outros obedecem, não importa o quão absurdo seja. Como eu meu chefe também tinha os seus chefes e dependia de uma decisão em cascata para conseguir fazer o que queria. Logo, enquanto os chefes do meu chefe tiravam férias na Europa, o projeto, entre a compra de uma memória e outros conta tempos, estava sempre atrasado. E a culpa é sempre do analista que trabalha muito devagar. ;)

Então, mas (você diz) "pode demorar o que for. Eu vou receber o meu salário no final do mês" (ou até que a grande vilã "Crise" chegue trazendo consigo seu compassa "Corte de gastos" e seu raio desempregador :D). Ingenuidade e brincadeiras a parte isso me lembrou de outro exemplo.

Seu chefe lhe passa uma tarefa com um prazo de três meses para ser concluída. Você se esforça bastante, chega mais cedo, sai mais tarde, trabalha de casa e consegue entregar a tarefa (perfeita) antes do tempo. Assim como recompensa por todo esse trabalho você ganha? Mais trabalho. Outra tarefa. Num sistema de trabalho assalariado de linha de produção parar é prejuízo. A produção precisa continuar para justificar o salário todo mês. Agora, como prestador de serviço autônomo você vende um serviço e combina o prazo de entrega. Se esforça e consegue entregar a tarefa (perfeita) antes do tempo e como recompensa por todo esse trabalho você ganha? Tempo!

É muito difícil "pensar fora da caixa" enquanto se está dentro de uma. Pausa para entender como em geral funciona uma empresa. Uma empresa tem um ou vários clientes. O cliente procura a empresa em busca de determinado serviço. A empresa assina um contrato com o cliente com a promessa que irá entregar o serviço (ou produto) após um determinado tempo (prazo). O valor do contrato é uma estimativa de custos, feita pela empresa, para entregar determinado serviço (produto) e gerar lucro (a empresa precisa desse dinheiro para crescer, reinvestir e tudo mais). E onde está o funcionário? O funcionário é custo. Assim, quanto menor o custo (funcionário) de produção, maior o lucro. Logo o salário é o menor valor possível (custo) pago ao funcionário, para que a empresa possa ter o maior lucro. Também, quanto maior o atraso (lembra da memória?) maior o custo (funcionário). Solução? - Raio desempregador neles.

E tempo é dinheiro? Se tempo é dinheiro, então eu posso comprar uns 20 minutos? Na verdade não. Nós vendemos nosso tempo por dinheiro, mas com o mesmo dinheiro, não compramos esse tempo de volta. E o ciclo é mais ou menos assim: "quando tenho tempo não tenho dinheiro e quando tenho dinheiro não tenho tempo". E trabalhar remoto com tecnologia é um dos caminhos que pode levar ao fim desse ciclo. No exemplo acima quem ganha mais o CLT ou o autônomo? Resposta: os dois ganham o mesmo. A diferença é o tempo. Que no primeiro caso pertence a empresa e no segundo ao próprio dono sendo assim livre para escolher o que fazer com ele (o tempo). A segunda grande ruptura (mudança) vem através do entendimento de que, entre outros fatores, tempo não é dinheiro.

Logo se eu consigo ter um equilíbrio financeiro. Eu gasto menos. Se eu consigo vender meu serviço diretamente para o cliente. Menor o custo (menos chefes). Se eu vendo soluções e não tempo, eu trabalho de forma mais eficaz e em um ritmo mais orgânico (meu ritmo). Assim é possível entregar o mesmo serviço, com um custo menor para o cliente e num prazo melhor. (consigo trabalhar menos)

Nos próximos postes (capítulos), quero falar um pouco mais sobre: equilíbrio financeiro, os vários tipos de trabalho remoto e em um ritmo mais orgânico, ou seja, de acordo com a sua capacidade produtiva e em equilíbrio com o que queremos fazer na vida além de trabalhar. Abraço e até.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Como trabalhar remoto com python / django? Palestra Dev-ES Conf 2016


Na manhã do último sábado (26) apresentei minha primeira palestra no evento Dev-ES Conf na UVV em Vila-Velha (por isso não consegui escrever o poste desta semana). O resultado foi melhor do que eu esperava (:D). Segue o vídeo.


Qualquer dúvida ou sugestão entrem em contato. Abraço.

Grupy-ES (grupo de python no Espírito Santo) links:
https://telegram.me/grupyes
https://groups.google.com/forum/#!forum/grupy_es

Dev-ES links:
http://dev-es.org/
https://devescom.slack.com/messages/general/
http://call4paperz.com/events/conferencia-dev-es-2016
https://github.com/Dev-ES

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Como trabalhar remoto com python / django? Parte 03 (1ª ruptura)


Continuando com mais um poste da série "como trabalhar remoto com python / django?" Para falar um pouco sobre a primeira grande mudança (ou ruptura, ou mudança de mindset - forma de pensar) que veio com o meu primeiro trabalho remoto.

Mas antes vamos voltar um pouco. Na época eu morava sozinho, de aluguel em um apartamento razoavelmente perto do meu trabalho (presencial na época), logo não tinha do que reclamar. Contudo eu gastava uns 65% do que recebia de salário líquido com as despesas básicas (aluguel, condomínio, energia elétrica, comida, internet e por ai vai). Quando eu precisava comprar algo a mais, uma parte do que economizava ia embora. Um dia me veio à pergunta: em quanto tempo economizando (bastante) eu vou conseguir ter uma casa (AP) para morar? Ou pelo menos financiar? Pausa para falar de financiamento de imóvel (vale a pena?).

Na minha opinião o financiamento de um imóvel só vale a pena no seguinte cenário: quando o valor da mensalidade do financiamento é menor que o valor do aluguel do mesmo imóvel e deseja-se morar lá por algum tempo (anos). Juntamente com juros baixos. Assim no final de algum tempo o dinheiro que iria para o aluguel se converte em algo seu. Mas para que isso ocorra é preciso dar uma boa entrada (quanto menor o valor financiado menor o valor das parcelas).

De volta à história. Naquele ritmo (economizando bastante) ia demorar algumas décadas para que eu conseguisse juntar um dinheiro suficiente para fazer o financiamento do meu imóvel um negócio favorável, ou seja, que valesse à pena. Logo, ou eu ganhava mais (:D) ou gastava menos (ou ambos). Trabalhando remoto finalmente consegui ambos. (Nota) Por “economizar bastante” eu quero dizer: sem carro, sem cartão de crédito, meu celular (SGH-X480 flip) pré-pago, tentava cozinhar e ganhar as coisas que precisava. [Maiara falando: nunca comprar roupa e/ou acessórios que já tenha um em uso (ex: tênis que não pode ver chuva e algumas (muitas) blusas da época de adolescente/faculdade)].

Lembra do primeiro poste? Então, em 2012 eu consegui o meu primeiro trabalho remoto para o exterior. Assim logo no primeiro mês, já que posso trabalhar em qualquer lugar, eu posso pagar menos aluguel ou (melhor) nenhum. Me mudo para casa de parentes no interior e começo a trabalhar de lá. Mesmo ajudando nas despesas da casa a economia é muito maior (custo de vida mais baixo) além do ar puro e vida mais saudável. Transporte: a pé ou bike, comida caseira, despesas básicas divididas e nenhum aluguel. O que me faz lembrar que quanto mais simples é a vida, menos dinheiro é preciso, se preciso de menos dinheiro eu posso trabalhar menos e se posso trabalhar menos eu tenho mais tempo para fazer o que quiser. (Quem conhece o Eduardo Marinho a sua experiência de não ter nada? - são 16 minutos de vídeo que geram reflexões - TEDx)

A vida era boa, mas eu ainda sentia falta de um canto (e o casamento também já dava sinais de chegada), assim depois de uns anos consegui juntar o dinheiro da entrada e do básico para montar o AP. Agora, alguns de vocês podem estar perguntando: mas porque não pegar essa grana e sair pelo mundo como um nômade digital (como o Teles do casal partiu) ou conseguir um bom emprego e se mudar de vez do Brasil (ou sair velejando :D). Posso dizer que quase fiz isso algumas vezes, mas que por motivos pessoais acabei ficando. Minha experiência morando em Tóquio foi inesquecível e entre outras coisas me ensinou muito sobre saudade. Muitas vezes após certo tempo de convivência familiar (e certos eventos) chegamos a pensar que somos indiferentes a distância e a falta (eu pensei). Depois de seis meses de semi-isolamento em Tóquio a saudade pesou (das coisas mais simples. Você já ficou uma semana ou mais sem ver o sol? Chama-se inverno e não conhecemos por aqui). Talvez para cada um seja diferente, mas para mim a decisão de mudar fica sempre entre: oportunidade (exterior) versus família e amigos (Brasil).

Bem, mesmo com essa primeira ruptura proporcionada pelo trabalho remoto, eu ainda mantinha hábitos e alguma da disciplina anterior (ou talvez ainda precisasse deles). A minha rotina de trabalho ainda seguia algumas regras rígidas herdadas do trabalho presencial. Trabalhava remoto, mas como no presencial. Eu seguia o horário comercial de trabalho (de 9 às 18 com uma hora de almoço) e não viajava com o notebook de baixo do braço trabalhando onde pudesse (também não tinha dinheiro), ou seja, ao invés de encontrar um trabalho que precisasse de mim eu tentava me encaixar no que o trabalho exigia. Mas para mudar isso eu ainda precisava me conhecer e saber no que sou melhor fazendo.

Um tempo depois conseguimos as chaves do AP e no meio do ano de 2014 recebo por email uma proposta de trabalho presencial CLT (0.o) próximo ao AP recém entregue (que ainda precisava alguns ajustes para se tornar habitável. Como energia elétrica em todos os cômodos - longa história). Eu aceito e me mudo alguns dias depois. Divido meu tempo entre o trabalho de (em teoria) 20 horas semanais, outros trabalhos freelancer e os reparos do AP. Mas como diz o ditado: "só se dá valor quando se perde". De volta ao ponto eletrônico e ao uniforme (CLT) mesmo trabalhando meio período (em teoria e no contra cheque) eu sentia que algo me faltava (liberdade?). Sentimento que depois de algum tempo iria gerar a segunda ruptura (uma segunda mudança de mindset), mas que vou deixar para contar em um próximo poste. Abraço.